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Das Sombras Onde Romantizo


Lucia Bec


Já que invisível sou
E nem procuro me exibir
Aos olhos deste mundo onde
Verdadeiros Romances estão
Pouco a pouco morrendo
Me escondo ainda mais
Nas queridas sombras
Para romantizar sobre
Impossíveis distantes
Musas mulheres
Carnais
E do Éter


Saibam que assim evito
Perder a dignidade
Mostrando à luz que rodeia
O dia inteiro para onde vou
A minha romântica
Descarada melancolia
Eu me guardo no silêncio
Das sombras que agora
Estão mais do que nunca
Extremamente poderosas
Arrancando para fora
Do meu Ser
Todas as palavras
Pelo dia sufocadas


E no Invisível me faço
Fantasmagórico poeta atravessado
Por punhais de ilusões
Por espadas de decepções
Por lanças de derrotas
Nos diversos campos onde
Batalhei por um amor
Batalho por um amor
Batalharei por um amor
Que possa ser o meu
Verdadeiro Definitivo
Único Amor


Baralho dentro destas sombras
Da cidade cinzenta
Das cinzas de minha trajetória
Das cinzentas memórias minhas
Recentes e ativas
Antigas e vivas
Dilacerantes e ingratas
Grotescas e violentas
Porque eu fui muito mais
Jogado para escanteio
Deixado para qualquer lado
Não visto
Não percebido
Não considerado
Não recebido
Não amado
Do que embalado nos braços
De alguém que me amasse


E toda esta lamúria
Todo este vil mimimi
Poeticamente sincero
Deste inominável poeta
Aqui nas sombras
É o que jogo abertamente
Para o mundo
Sem me conter
Sem me disciplinar
Sem me esconder
Sem errar na dose correta
Do quanto aqui devo falar


E aqui quem fala é um Ser
Que bem pratica
A arte de ser invisível
E faz parte
Por obra da Natureza
Das sombras românticas
Mais inomináveis deste
Mundo cada vez
Mais insensível


E aí quem pode estar lendo
Pode ser também alguém
Tão invisível quanto eu
Uma poetisa
Um poeta
Um leitor
Uma leitora
Um encarnado
Um desencarnado
Pego também ao colo
Pelas sombras


Ou quem sabe você não seja
A Musa
A Mulher
Da minha vida
Da minha morte
Da minha ressurreição
Dentro das sombras que nos são
Queridíssimas mães?


Talvez eu esteja escrevendo
Para ninguém
Ou pensando até que alguém
A isto lerá
Ou pretendendo que alguém
A isto responderá
Enfim
Me vendo como eu sou
Me vendo como eu não sou


Besteira
Pura besteira
Sou importante apenas
Nestas sombras onde
Teimo em romantizar
A humana vida
Invisivelmente
Nada sabendo
Realmente
O porquê de assim
Continuar escrevendo


Talvez
Sim
Apenas um outro talvez
Ela
Também nas sombras
Também invisível
Também romântica
Esteja chegando para
Dar-me as mãos
Em meio a toda esta
Romântica escuridão


Talvez que é uma
Romântica especulação
De um cansado poeta
Nestes tempos de pavões
Que se exibem visíveis
Sentindo-se donos
Do Romance Terrestre
Nas luzes de uma civilização
Que não sabe visualizar
O Romanticamente Amar
Até mesmo aqueles que
Invisíveis como eu
São


Inominável Ser
ROMÂNTICO
INOMINÁVEL
POETA
DAS SOMBRAS




Este É O Meu Humilde Presente Para A Tua Alma



Como pássaro alcançando
Os mais inacessíveis céus,
Como andarilho de oceanos
Que se voltam para
Todos os altos horizontes,
Te ofereço os mais
Simples presentes
Que a Natureza concede
Aos mortais.

São presentes modestos,
Não tenho bilhões
No banco,
Não tenho mil
No bolso,
Não moro em
Um palácio
E nem sou
De sangue real.

São presentes simples,
Não tenho
Muito para lhe dar,
Não tenho
Tudo para lhe dar,
Não tenho
O Todo para lhe dar
E nem tenho
Mais do que O Todo
Para lhe dar.

São presentes
Colhidos no Campo
Onde todos os
Românticos Sonhos
Nascem.

São presentes
Beijados no Campo
Por todos os
Românticos Anjos
Siderais.

São presentes
Abençoados no Campo
Por todos os
Anjos
Do Amor.

São presentes,
Os mesmos presentes
Dados por
Orfeu
A Eurídice,
Tristão
A Isolda,
Lancelot
A Guinevere.

São presentes
Que todos os
Românticos Poetas
Eternos
Ainda dão para
Suas Amadas Diurnas
E Noturnas.

E assim como
Eles,
Minha Amada Diurna
Inominável,
Eu lhe dou estes
Presentes,
Flores que levam
Todas as minhas
Profundas palavras
D’amor para
Tua alma!

Recebas
Cada uma,
Amada Diurna
Inominável!

Recebas
Como únicas,
Amada Diurna
Inominável!

Recebas
Como múltiplas,
Amada Diurna
Inominável!

Recebas
Como infinitas,
Amada Diurna
Inominável!

As flores
Mais sinceras
Que já colhi,
Recebas
Em tua
Divina Alma
Diurna
Inominável!

Inominável Ser
DANDO
HUMILDES FLORES
PARA UMA
AMADA DIURNA
INOMINÁVEL




Tua Boca



Tua boca,
Toda a carne
De tua boca,
É essa essência
Totalmente divina
Por onde minha
Mente navega
Em profanas
Indecências…

Me beija
Agora
Como se tudo
Fosse
Em nosso redor
Desmoronar!

Tua boca,
Toda a carne
De tua boca,
É o mundo
Onde encontro
Meu pouso
Mais querido
E meu repouso
Mais sonhado…

Me beija
Agora
Como se tudo
Fosse
Em nosso redor
Desaparecer!

Tua boca,
Toda a carne
De tua boca,
É paraíso
Que me torna
Anjo Da Sensualidade
E um inferno
Onde estou
Condenado a queimar…

Me beija
Agora
Como se tudo
Fosse
Em nosso redor
Quebrar!

Tua boca,
Toda a carne
De tua boca,
Representa minha
Carnal religião,
É a santidade
Que idolatro,
É a igreja
Que frequento,
É a Divindade
Absoluta
Na qual creio!

Me beija
Agora
Como se tudo
Fosse
Em nosso redor
Apodrecer!

Tua boca,
Toda a carne
De tua boca,
Me chama em
Meio ao incêndio
Que provoca
Nesta minha boca
Cheia de vontades
Que não escondo
De ninguém…

Me beija
Agora
Como se tudo
Fosse
Em nosso redor
Escapar!

Tua boca,
Toda a carne
De tua boca,
É o abismo
Onde me jogo
Às cegas,
Sem saber
Do amanhã,
Sem pensar
No ontem,
Sem sentir
O agora…

Me beija
Agora
Como se tudo
Fosse
Em nosso redor
Explodir!

Tua boca,
Toda a carne
De tua boca,
Tem todos os
Doces sabores
Da Criação,
Sabores
Conquistadores,
Sabores
Escravizantes,
Sabores
Libertadores…

Me beija
Agora!
Tua boca,
Que pronuncia
O meu nome…

Me beija
Agora!

Tua boca,
Onde ouço
O meu
Verdadeiro Nome…

Me beija
Agora!

Tua boca,
Onde ouço
O meu
Único Nome…

Me beija
Agora!

Toda a carne
De tua boca
Que se torna
Uma Criação
Ao colar-se
Na faminta carne
Da minha…

ME BEIJA
AGORA!!!

Inominável Ser
ADORADOR
DE UMA
DOCE BOCA