Álvares de Azevedo,

Etérica Lembrança Flutuante

18:18:00 Inominável Ser 0 Comments


Galante tempo reunindo todas

as coisas que se diziam

nos agrestes e nos celestes

momentos...


Gelante passar do tempo,

qual o etérico ritmo das lembranças

que não perco aqui em ataques

tremendos...


O relógio desbotou seu ponteiro,

eu sorria nos dias anteriores

ao ir embora dela de doces

talentos...


Permaneci naquele tempo de então,

permaneci jazendo na flutuante escala

de acontecimentos todos

deleitosos...


Julguei ter muito naquele tempo,

arrisquei o tudo ter naquele

tempo de raízes construtoras de

alentos...


O fraco sol hoje bate na janela,

meu quarto ama ainda aquele tempo,

meu leito é guarda todos os

retalhos...


Lirismo e melancolia ufanistas

neste romântico lamento inominável,

escolho as palavras entre meus

remendos...


Mãos abafadas pela falta de alegria,

escrevo flutuante no etérico espaço

das lembranças lançados nos

lagos...


Álvares de Azevedo me concede

sua lírica chorosa,

agradeço ao meu irmão pelos lentos

versos...


Florbela Espanca vira-se para beijar-me,

eu fico n'alma a chorar,

viajo aos dolorosos tronos de assombrosos

troncos...


Outros poetas e outras poetisas,

outros irmãos e outras irmãs,

eu a flutuar nas lembranças dos

beijos...


Falta-me reconhecimento e falta-me dinheiro,

mas para lembrar-me etericamente dela

faço flutuante em lembranças até os seus

cabelos...


Falta-me alegria e falta-me esperança,

mas para no etérico lembrar-me dela

sobram todos os meus dolorosos românticos

enterros...


Inominável Ser

EM SUAS ETÉRICAS

LEMBRANÇAS FLUTUANTES




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