Cidade,

Noturnamente, No Silêncio Amante De Vosso Semblante...

00:00:00 Inominável Ser 2 Comments


A cidade,

roucamente,

imponente,

insistente,

transa com o frio

que agora faz.


Uma cidade,

indecente,

exigente,

decadente,

cheia de tesões

do agudo ao grave.


Há um sufoco,

bem grande sufoco,

em mim,

nesta noite estou

em meio a uma

fase ruim.


A chuva caindo,

a enchente neste

Espírito que aqui

poetiza noturno

alaga as cidades

dele em ruínas...


A rouquidão noturna

vem bem forte,

melancólico,

aturdido,

metódico cartesiano,

lembro de ti...


Vosso semblante,

falante,

flagrante,

flamejante,

vindo assim como

chuva causticante...


Gotas na janela,

ouço as gotas

na janela,

lembranças de uma

chuva e de um

beijo que não demos...


Música,

Beth Gibbons,

Portishead,

Roads,

toca,

quase rouco choro...


Rouquidão,

aqui, ali,

assim, assim,

noite chuvosa,

lembranças de uma

época solar...


Beijam minhas lembranças

aqueles dias,

solares dias,

que um manto de afastado

torpor rítimico

apagou...


E nesta noite,

nesta chuva de

muitas lembranças,

noturna é a minha

vigilância,

a minha vigilância...


Vigilância para que

eu não venha

a cair na região

mais alagada de todas

em mim:

a de minha alma...


O vosso semblante,

nesta chuvosa noite,

em todas as chuvosas

noites desta cidade

arruinada,

é o meu salva-vidas...


As chuvas são

melancólicos romances,

O Romance Da Melancolia,

o toque em vosso semblante,

ah, divina tristeza,

sou gota d'água


insignificante,

destrambelhada,

desestabilizada...


Inominável Ser

MELANCÓLICO

ROMÂNTICO

A CHOVER









2 Românticos Aqui Se Revelaram:

Cria disse...

Sempre bom estar aqui e poder apreciar tuas obras ! E obrigada por teu carinho, querido poeta ! Uma Páscoa doce e feliz a ti e aos teus.

Sempre bom é ler os vossos comentários e perceber a sua admiração pelos meus versos, Cria. Tu és uma das poucas verdadeiras românticas do mundo nesta época aromântica opressiva.