Meus Treze Primeiros Romances

Meus Treze Primeiros Romances - Poema Dois - Elementos Da Angústia

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Eu sou o

inesquecível significado

da palavra tristeza,

que me torna

moribundo, semi-morto,

enterrado, morto.


De amores em amores,

pulei da felicidade

da paixão

à desgraça do desprezo,

do Céu à Terra

e ao Inferno.


Das vivências beijadas

partilhei imensamente,

com a alma

desamparada

pela terrível metáfora,

prosopopéia da vida.


Raríssimo verbo

sem verbos para completá-lo,

belo verbo

do amor,

verbetes implacáveis

me acossam com dor.


Pronomes de nomes esquecidos,

alienados,

gastos por substantivos

de desespero,

sugados por adjetivos

de temor.


Onomatopéias choradas,

antíteses aclamadas,

ditados raros,

muitas e muitas linguagens

em um imenso

alfabético espaço.


Retórico, discurso,

poemas, enfim,

todo o meu talento, dom

e dádiva divinos

não conseguem letrar

o seu coração cristalino.


Tento, mas tendo

o meu coração ferido,

flechado mortalmente

pelo seu repúdio,

a poética em mim

me faz mais poeta.


Rezo diariamente

chorando pelo caloroso

verso de ternura

que quero que saia

de sua boca

e entre na minha prosa.


Li todos os livros,

li todos os mais bonitos,

li todos e vi minha

ignóbil vida

bem mal-vivida

e menos mais destrutiva.


Fiz e farei

milhões de poemas

com minha inacabável

primazia revivida mais,

mais e muitíssimo mais

a cada lágrima caída.


Para você,

o meu eterno talento,

o meu eterno amor;

para mim,

o meu eterno desgosto,

o meu eterno solitário poema.


Segunda-feira, 13 de fevereiro de 1995








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