Meus Treze Primeiros Romances

Meus Treze Primeiros Romances - Poema Sete - Triste Doce Mágoa

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Sempre vivo

a chorar as mágoas

de todas as muitas mágoas

que tenho,

todas impossíveis

de esquecer,

todas impossíveis

de matar.


Gostava de ver

a nua

e crua beleza

dos seus olhos,

saciar-me do brilho fátuo

da sua boca,

esquecer-me da vida

dentro de ti.


Andante infeliz

é o meu nome,

sou um homem

que há muito

já morreu,

não sei porque

ainda não fui

enterrado.


De que é feita a dor que eu sinto,

essa cativa ferida,

essa fria sina,

da qual

nem Deus,

nem o Diabo,

e todos os santos,

podem me livrar?


Indo louco

a vagar por

torturas infindáveis,

sofrimento

é pouco,

muito pouco mesmo,

muito pouco

e agradavelmente amargo.


Essas mágoas,

que mágoas,

meu Deus,

meu Deus que não me ouve,

essas mágoas são

o destino do único que

que se entregou às

agruras da infelicidade.


De tudo

que aprendi

na infelicidade,

aprendi o gosto

de infeliz ser,

aprendi a enfraquecer,

aprendi a secar,

aprendi a derreter.


Sou assim

porque sou assim,

motivos de orgulho do que sou

posso até ter,

mas,

orgulho da minha

doente crise,

sei bem querer.


Ruínas da minha virtude,

glória da minha orgulhosa

inesquecível glória,

sou louco

pelas mágoas,

essas mágoas

tão magoadas

e negativas.


Se viverei a viver

sempre desse jeito,

do que depende felicitar-me

com o futuro

do mundo de Deus,

se este mundo

só é mágoas

para mim?


Quarta-feira, 21 de junho de 1995








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