Meus Treze Primeiros Romances

Meus Treze Primeiros Romances - Poema Oito - Ensinamentos Do Sofrer

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De verdes tantos campos

que nunca vi,

os quais a lembrança deles

nunca tive,

vem o prazer medíocre

da sede de ser desprezado.


Desprezam-me as mulheres

que amo,

a mulher que eu amei,

as mulheres que não amei,

as mulheres que amarei,

as mulheres que não amarei.


Acalenta-me a viuvez

da cálida tristeza,

que nobreza,

carinho ou alegria

não podem afastar

da minha cama fria.


Desoriento-me de caminhos

tórridos,

caminho atrevidamente

a sempre trabalhar

no fim,

no fim do meu fim.


A melhor parte de sofrer

é sentir que o coração

se fortalecerá,

a alma

se engrandecerá,

o corpo se energizará.


A pior parte de sofrer

é não ter mais

forças,

nem lágrimas,

pela qual chorar,

pela qual ter.


De simples lívidas nuvens

esvai-se em gotas

o amor que me arrebatou,

como uma leve

e cálida chuva

no coração.


Desprezo,

acalento e desorientação

nem simples,
nem meus são,

só são insígnias parcas e infelizes

do sofredor que como poeta sou.


Nas névoas do sono profundo

da Eternidade,

no caminho sem luz

da Escuridão,

na alegria mórbida de ser o que sou,

estou.


Estou na triste

liquidez insípida

que afogar já nem afoga

mais

porque afogado e morto

é o meu estado atual.


Brigo contra o sofrer,

mas,

o lindo sofrer de tantos séculos

de desprezo

atravessa os tempos

e sobrevive à tempestade.


A última coisa que aprendi

do sofrer na vida

é que o amor

que foi desprezado

se foi com os anos

que passaram.


Segunda-feira, 14 de agosto de 1995







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