
"Eu qu'ria ser camponesa;
Ir esperar-te à tardinha
Quando é doce a Natureza
No silêncio da devesa,
E só voltar à noitinha..."
Florbela Espanca
Somos entes estranhos para
as pessoas normais, pessoas
que se dizem melhores porque
seguras estão de seus internos
equilibrados dotes.
Amor continua sendo amor
mesmo em um cemitério. Que mal há
em nos encontrarmos, musa minha,
no local onde reside verdadeiramente
a paz neste mundo?
Que continuem nos chamando de
loucos, de muito loucos, mas sentimos
tranquilidade a mais verdadeira entre
os mortos. Em meio aos vivos, apenas
os calafrios nos sondam.
Existe mais verdade em um cemitério
do que em uma casa de shows. Nestas impera
a Deusa Violência, a Deusa Luxúria e a Deusa
Loucura. Em um cemitério está A Verdade
Do Grande Romance Da Vida.
Em cada lápide, em cada túmulo, a cada
pedaço de terra, sentenças que tomantizam
acerca de cada osso. Cada osso um dia amou,
foi amado e jaz agora junto ao pacífico solo
mais sagrado da Terra.
Como não ver uma divina realidade em um
cemitério? Como não sentir Deus em um cemitério?
Como não perceber que, em um cemitério, a paz
é encontrável? Com respeito, de mãos dadas, silenciosos,
apaixonadamente caminhamos em um,
sem pressa, admirando as esculturas, lendo
os nomes nas lápides dos túmulos. Riem de nós
do lado de fora, nos estranham aqueles que
trabalham dentro de um cemitério, mas nem ligamos
e sempre estamos entre os mortos.
Cada passo nos deixa em paz. Cada passo nos dá
a sua paz. Cada passo, sem rumores de cansaço,
sem gritos de perturbação, no tumular silêncio
de um cemitério romantiza... Assim é um amor entre
incomuns pessoas pacíficas.
Se tu estranhas estes versos, fiques então com a tua
comum vida. Eu e ela somos de uma época melhor, uma
época mais amante da própria Vida. Não somos parte
de uma subcultura humana e nem fazemos tipo escolhendo
caminhar na cemiterial paz. Apenas queremos
perceber mais do Romance Da Vida em um local
onde Ele nunca termina. Espíritos nos acompanham,
falam de nosso amor, sentem o nosso amor, estão
felizes com o nosso amor. Anjos Dos Cemitérios
abrem-nos todas as passagens em direção
à Verdadeira Paz Silenciosa que em todos os cemitérios
há. Não há mais pacífico campo do que um cemitério. Não há
mais pacifica paragem do que um cemitério. Um dia, sem
preconceitos, amantes do mundo inteiro, queiram passear
em um cemitério.
O Verdadeiro Amor é como a paz encontrável dentro de um
cemitério. Uma paz sagrada. Uma paz divina. Uma paz eterna.
Uma paz infinita. Uma paz amiga de todo e qualquer casal
que queira encontrá-la, mesmo que entre A Emcruzilhada Dos
Portais Entre A Vida E A Morte.
A Verdadeira Morbidez consiste em teimar na continuidade
de seguir o senso comum, acreditando nas superstições
e crendices de antepassados ignorantes. O Amor, O
Verdadeiro Amor, é possível em todo lugar, tanto
entre os encarnados quanto entre os desencarnados.
Eu e ela, em nossas vestimentas carnais atuais, nos
aconchegamos em nossa cava e vivemos o nosso romance
na maior paz encontrável entre amantes que sabem
enterrar os ossos da mesmice para o encarar da morte
para as crenças insensatas cheias de nadas.
E ficamos em paz... A paz... Esta paz...
Paz que nunca adoece...
Paz que nunca morre...
Paz que permanece fora de tudo que é breve...
Inominável Ser
COM SUA
MUSA AMADA
ADMIRANDO
ROMÂNTICOS
CEMITÉRIOS



















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