Chuva,

Amante Da Chuva Que Cai

13:18:00 Inominável Ser 0 Comments




Gota
 após 
gota,
eu me lembro...
Escorrer d'água
após 
escorrer d'água,
eu me lembro...
Nuvem de chuva
após
nuvem de chuva,
eu me lembro... 
Teu corpo molhado,
macio e delicado,
lembrança amiga
das minhas
virgens noites
suicidas...
Teus lábios molhados,
grossos e viciantes,
lembrança ainda
das minhas
corrompidas manhãs
amargas...
Teus cabelos molhados,
lisos e longos,
lembrança mística
das minhas
transitórias tardes
nubladas...
São lembranças 
da chuva,
da chuva que cai
n'alma minha
mui augusta,
augusta de saudade,
augusta de solidão,
augusta de...
Somem as palavras..
Somem como águas
de uma chuva
absorvidas pelo concreto...
Tu sumistes
da minha vida
qual chuva que
rapidamente passa...
Eu queria sumir
como uma chuva
que rapidamente
me apagasse
como um amante
sem pátria...
O dilúvio nunca chega
e há mais de
quarenta dias
e quarenta noites
sou um Noé
sozinho em minha
arca,
que não quer afundar
de vez
levando-me para
aquela outra
pátria...

Inominável Ser
NA CHUVA
NA SECA
NO DESERTO
EM UMA COVINHA
ROMÂNTICA

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