Angústia,

Caminhando Lentamente Em Direção A Todo Poente

13:22:00 Inominável Ser 0 Comments




Por mais que eu veja
o sol nascer,
a luz deste me incinerar
a solitária pele
e o suor brotar
como salgado mar,
é no poente que
encontro-me
com um vinho
de angústia
para tragar.

No poente, 
no triste momento
entre o morrer
de todo dia
e o nascer
de toda noite,
toco em meu
lamentável estado
de bardo solidário
com cada uma
das minhas dores.

Sou pelo poente
guiado,
guiado a um local
não-imaginário
dentro do meu
abismo mental,
fazendo-me lembrar
do abismo
no qual
afundei-me:
teu rosto celestial.

Sou pelo poente
banhado,
recebendo nos olhos
as mesmas
imagens de um
tempo passado,
de alegres raros
lagos amados,
esmagado por estes
trágicos bárbaros:
teus pés demoníacos.

No poente,
tendo meus braços
cansados
e minhas pernas
abaladas,
vou recordando
o sofrimento
pelo qual passei
pensando
amar-te,
sofrimento de
iludido amante
de toda bela coisa
que com 
uma decepção
morre.

Pelo poente
sou tragado,
trazido sempre
lá daquele lado
onde é possível
perder toda
a alegria decente
e muito da
própria alma
decadente.

Em todo poente,
tenho a relembrar
meus papéis 
rasgados,
meus livros
queimados,
toda leitura
que fiz
do Amor
virando cinzas
escorrendo pelo
ralo.

Eu sou um
poente,
sempre entre
dias mortos
e noites frias,
procurando um
sol
e encontrando sempre
toda nuvem
inimiga do meu
romântico coração
ardente.

Poente
doente,
me entrego
ao angustiante
isolamento,
demente por um
raio de sol
que me salve
de dita doença
fatal.

Inominável Ser
ADOENTADO
POENTE

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