Frio,

Imperfeita VIII

21:36:00 Inominável Ser 0 Comments


Wylona Hayashi



Não há mais espaço,
neste mundo agora
plenamente conturbado,
para apegos insensatos
ou pregos perfurando
as solas dos sapatos.
Apesar de toda gritaria
e toda correria
pelos campos
de concreto
e as cinzentas florestas
urbanas
cheias de covardes
e insanos
fingindo-se fortes,
ainda sobra um tanto
de tempo para que
eu possa chegar
bem mais perto
de tua alma,
se é que tu tens
uma alma...
Eu paro
O Tempo,
viajo para dentro
de mim mesmo,
vasculho minha alma
de poeta sem remendos
e sem ventos,
tentando colher algo
do que julgo ser
a tua alma...
Nada encontro...
Nada em nenhum ponto...
Nada encaro...
Nada de ti é jogado
diante de mim,
mas a fumaça
muito indecorosa
de seu irônico cigarro
você joga poderosa
em mim...
Quem foi que,
poeta 
ou sábio,
disse que nunca
se deve tentar
decifrar a alma
de uma mulher?
Como posso dizer
que,
insisto nisto,
tu tens uma alma,
mulher?
Eu somente continuo
nesta aventura contigo
por uma necessidade
que escorre
por toda a minha
pele.
Minha cama
continua fria,
você é uma
mulher fria...
Eu amo
O Frio,
estou acostumado
com baixíssimas
temperaturas
bastante
bastante
bastante
movimento
são elevadas...
Por isso,
ainda estamos 
juntos,
se é que você
está mesmo
comigo...

Inominável Ser
BRINCANDO
NA NEVE
DA PELE
DELA




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