Imperfeita

Imperfeita XXIV

21:46:00 Inominável Ser 0 Comments




Há uma felicidade
entre nós dois
escrita com fumos
que se acabam agora
e bebidas cujas garrafas
quebramos ontem
em um célebre jantar
no deserto.
Somamos nossas
lágrimas passadas,
dividimos os espólios
das guerras que travamos,
conduzimos nossas carcaças
por um longo caminho
sem muitos fins onde
remendamos nossos ossos
tão quebrados.
Tiramos,
no entanto,
um tempo para ouvirmos
Dead Souls,
sentindo o vento que
sopra em todas as noites
de tórrido calor,
algo a queimar
mais a mente
e a alma
do que o corpo.
Permitimos,
então,
a chegada de tal vento
a suavizar toda nossa
enchente de chamas
em redor de nossas camas.
Aproveitamos o vento,
imperfeita guardiã
dos meus objetos
de valor rachados
entre as lembranças
de meus muitos passados...
Imperfeitas
lembranças...
Imperfeitos
momentos
em lembranças...
Imperfeitos
roteiros
de lembranças...
Imperfeitos
navios
de lembranças...
Imperfeitos
vales
de lembranças...
E você, 
imperfeitamente,
ressoa em cada
uma...
E você,
imperfeitamente,
estremece cada
uma...
E você,
imperfeitamente,
é cada uma dessas tais
lembranças...
Arriscamos tudo
nessas lembranças
que são pagas com vapores
e muitos outros valores
em um banco de memórias
rico em coisas a serem
reconstruídas.
Quer mais
fumo?
Quer mais
bebida?
Quer mais
jantares?
Assaltemos,
então,
o banco das nossas
memórias,
quem sabe não
encontramos nele
altos valores
de títulos para nossos
de nossos imperfeitos
momentos que podem ser
quase um eterno
casamento de múltiplas
imperfeições?
"Fomos feitos
um para o outro",
como dizem os bregas
de plantão!

Inominável Ser
DENTRO DE TAL
CASAMENTO
DE IMPERFEIÇÕES




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