Meditação,

Meditativo Instante De Transbordante Cálice

22:10:00 Inominável Ser 0 Comments



O Zen deste instante abre chacras
desconhecidos pelos Mestres. Sabemos,
minha querida, que isto é um processo
de nossa natureza agreste. Somos suspeitos,
até porque rugimos e sabemos mexer
com abelhas que tendem a ser selvagens
na colméia que cultivamos. Somos ainda
duas obras de um mundo rico em falcatruas,
urbanas ruínas que causam as quedas
de fatalistas, moralistas e suicidas. Em
matéria de sermos algo a mais ainda,
somos procrastinadores buscando sossego
debaixo de lençóis quentes. A época melhor
para não negarmos nossa natureza é esta,
de frio, sombra e névoa. No final, é tudo absurdo mesmo e esquecemos dos congelantes
ventos do sul nos aquecendo e suando.

É mais um tipo de acordo entre dois seres
que buscam meditar sobre o café que foi
derramado na camisa de seda rasgada que
nem sabemos de quem é. Tomamos conta
desse ritual de meditação, ainda mais com
doses de alucinógenos e cachaça. Cigarros
aos borbotões pelo chão, camisinhas
de montão na lixeira do banheiro e dias sem
sairmos para a rua. O que há na rua para nós?
O que nós temos na rua? Vamos continuar
caminhando um no outro, aqui dentro deste
quarto ora iluminado pelos beijinhos solares,
ora enegrecido pelas trevas noturnas amáveis.
Estamos bem aqui, dois contemporâneos
iogues serenamente abstraindo-se da caverna
que é a vida lá fora.

Já nem podemos definir o que somos um
para o outro. Um casal? Uma dupla? Parceiros
de loucura? Amigos coloridos? Jogadores de
um xadrez de peças cheias de nosso gozo
nelas? Não sabemos explicar, temos ainda que muito meditar… No entanto, não sei viver sem você mais, sem você que chegou tímida, simples, humilde e me conquistou como
um tipo de sublime indiana de antigas lendas
hindus. Da Flauta de Krishna aos cânticos
de Buda, soubemos bem coroar nosso jeito
de concentradores de defeitos como somente
nós faríamos. Um caso exemplar de loucura,
uma digna estatura de desapegos para com
as opiniões alheias. Demos as mãos e saltamos
de todos os precipícios e pontes possíveis
diante de nós. Aprendemos bem a cair em pé,
sem nos ferirmos nem em um centímetro
sequer de nossos corpos sempre suados. Suor,
é isso que nos une mais.

Uma meditação de verdade é como um tipo
de transbordante cálice acima de uma
mesa cheia de cristais energizados com o
nosso OM. O cálice fixamente se,mantém
sempre vazio, mesmo quando nele jorramos
nossos sonhos e esperanças que ainda nascem
em meio ao nosso enleio meio caótico… Ou
totalmente caótico? Não podemos saber
querida, isto aqui que vivemos está longe
da definição erudita de um filósofo qualquer
de beira de esquina. No fim, do Ocidente
ao Oriente, do Oriente ao Ocidente, não há
definição para um romance tão esquisito
como o nosso. Vamos esquecer isto em meio
aos nossos momentos de transe no fogo que
sempre estamos atiçando.

O rapaz da pizza chegou, vou atender. E
depois continuamos a tentar encontrar uma
explicação para nós dois estarmos juntos
neste Samsara de retornos um ao outro. É
muita metafísica especulação… Melhor ficarmos apenas nos beijos e amassos, então.

Inominável Ser
EM UMA
TENTATIVA
DE ROMÂNTICA
MEDITAÇÃO




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